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A paisagem nas cidades: a Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro e La Gran Vía, em Madrid

Os problemas ambientais vêm sendo discutidos em âmbito global e têm tido cada vez mais impacto nas discussões locais, principalmente nas grandes metrópoles devido à piora da qualidade ambiental nesses espaços.

A intensa busca pelo desenvolvimento tem se desdobrado em diferentes etapas em nosso processo histórico, principalmente no processo de intervenção no espaço que, com o aprimoramento das técnicas ao longo dos anos, se tornaram cada vez mais intenso e presentes.

As metrópoles, por serem espaços socialmente produzidos, geram grandes alterações no seu espaço natural que têm conseqüências positivas e negativas para a sociedade

Ao longo dos anos, principalmente a finales do século XIX, tanto a cidade do Rio de Janeiro no Brasil, quanto a cidade de Madrid na Espanha, tiveram seu processo de desenvolvimento e expansão da malha urbana caracterizado por mudanças impactantes em sua paisagem, a partir de grandes intervenções devido as reformas urbanas executadas. Como exemplo de este tipo de intervenção, de paisagens criados através do planejamento urbano, está a Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro e a Gran Vía, em Madrid.

Essas paisagens criadas podem ser importantes na gestão do território, no sentido de integrar e promover a qualidade ambiental para a cidade, mas também mostrar as conseqüências negativas que são geradas a partir da criação dessas paisagens, no sentido de degradação ambiental e conflitos socioespaciais gerados para o domínio do território.

Para compreendermos essa nova paisagem é necessário levar em consideração o planejamento, para analisarmos o que motivou essa transformação e às aspirações à que elas respondem. A paisagem é fruto de um refinamento da relação do homem com o meio ambiente produzido pelas elites. (CLAVAL, 2004)

As reformas urbanas começaram em Madri alguns anos antes que no Rio de Janeiro. Foi em 1836, quando a Espanha, a partir da independência das grandes cidades latino americanas, viu despertar um desejo de modernizar suas velhas cidades medievais, principalmente sua capital.

Já no Rio de Janeiro, as reformas começaram em 1875 a partir da proposta de higienistas para melhorar as condições da cidade a partir de uma série de obras infraestruturais ligadas aos setores de transportes, de saneamento, abertura de ruas nas áreas de expansão da área central para o embelezamento da cidade.

O objetivo da construção dessas suas avenidas era o mesmo, além de conectar dois pontos de suas cidades, as fariam entrar na tão almejada modernindade, transformando-as em verdadeiras metrópoles. Com uma extensão de quase 2000 metros e dividas em três partes, cada uma com características próprias.

Gran Vía, Madrid, 1913

Gran Vía, Madrid, 1913

Avenida Rio Branco, 1910

Avenida Rio Branco, 1910

Gran Vía, hoje em dia

Gran Vía, hoje em dia

Avenida Rio Branco, hoje em dia

Avenida Rio Branco, hoje em dia

Claval (2004) nos fala que só se entende uma paisagem quando compreendemos como e por que ela funciona. Entendemos essas duas avenidas em sua função de conexão de duas partes importantes da cidade, mas que se vitalizam e se tornam integrante de suas cidade a partir do momento em que nela são atribuídos valores por parte da população que a percebe.

A paisagem é uma aparência e uma representação (BRUNET, 1992 apud CLAVAL, 2004), é uma interface entre a natureza e fatos sociais, é a influencia que o meio exerce sobre os indivíduos a partir das transformações das atividades humanas sobre o ambiente, resultado de uma representação moldada pelas decisões dos diferentes atores sociais que a construíram, mostrando suas diferentes formas, em que são influenciados pelo momento e resultando de especulações sobre o futuro. (CLAVAL, 2004)

Posto isso, podemos perceber  que essas duas avenidas de um século de idade, que nasceram a partir de aspirações estéticas e higienistas, foram se transformando de acordo com as mudanças sociais e econômicas que estavam sofrendo seus países. São museus a céu aberto que merecem sua conservação.

Não se pode esquecer que a paisagem a Avenida Rio Branco e a Gran Vía simbolizam não é estática. Seu valores culturais são sempre reforçado pelos rituais públicos e precisa estar sempre se reproduzindo para continuar tendo significado, sendo isso realizado apenas através do seu reconhecimento. (COSGROVE, 1998)

A Gran Vía se transformou em cidade de consumo, na avenida de lojas, cinemas e teatros. Ela é atribuiu valores e se reinventou e continua a ser reconhecida como símbolo e paisagem essencial da cidade de Madri.

A Avenida Rio Branco ainda é uma das artérias mais importantes da cidade do Rio de Janeiro, mas uma paisagem que merece ser tratada com mais importância. É uma paisagem com grande potencial social, econômico e cultural, onde devemos buscar maneiras para alcançar a sustentabilidade dessa paisagem, no sentido de sua gestão e conservação.

O que pretendemos es que se entenda estas dois avenidas, como exemplos de paisagem urbana, além de sua função de conexão entre dois partes importantes da cidades, mas como elas se fortalecem e se tornam integrantes de suas cidades a partir do momento em que a elas são atribuidos valores por parte da percepção de sua população.

Letícia Jácomo é graduada em Geografia pela PUC – RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Máster em Planifiación y desarrollo territorial sostenible pela Universidad Autónoma de Madrid. Atualmente realiza doutorado em Geografia pela UAM.

Bibliografia:

CLAVAL, Paul. A paisagem dos Geógrafos. In: CORRÊA, Roberto Lobato; ROSENDAHL, Zeny (orgs.). Paisagens, Texto e Identidades. Rio de Janeiro: EDUERJ p.13-74, 2004

COSGROVE, Denis. A Geografia está em Toda Prte: Cultura e Simbolismo nas Paisagens Humanas. In: CORRÊA, Roberto Lobato; ROSENDAHL, Zeny (orgs.). Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro, EDUERJ p.92-123, 1998.

ERMAKOFF, George. Rio de Janeiro 1900-1930, Uma Crônica fotográfica. Rio de Janeiro, George Ermakoff, 242 p., novembro/2003.

MERINO, Ignacio. Biografía de la Gran Vía, Los primeros cien años de una calle universal. Madrid, Ediciones B, 290p., marzo/2010.

BENCHIMOL, Jaime Larry. O Haussmanismo na Cidade do Rio de Janeiro. In: Anais do Seminário Rio de Janeiro: Capital e Capitalidade. Rio de Janeiro, outubro/2000.

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